FundamentoFundamento

As Doenças Transmissíveis (Tropicais) Negligenciadas são uma das áreas chave preocupantes da nossa sociedade, tal como foi claramente formulado pela OMS em 2006 (“Doenças Tropicais Negligenciadas – Sucessos Escondidos. Oportunidades emergentes”) Tal ficou novamente expresso na Conferência “Parceiros Globais da OMS” sobre Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) que se realizou em Genebra a 19 e 20 de Abril de 2007.

Aspectos chave das doenças tropicais negligenciadas:

  • As doenças tropicais negligenciadas afectam por volta de um bilião de pessoas, principalmente populações pobres que vivem em climas tropicais e subtropicais. Frequentemente estas doenças reúnem-se e  sobrepõem-se geograficamente; os indivíduos estão normalmente contaminados por mais do que um parasita ou infecção.
  • 100 % dos países com baixos-rendimentos são afectados por pelo menos cinco das doenças tropicais negligenciadas simultaneamente.
  • Mais de 70 % dos países em que foi notificada a presença de doenças tropicais negligenciadas são economais de baixo ou médio-baixo rendimentos.
  • As Infecções estão relacionadas com água não potável e deficientes condições sanitárias e de habitabilidade.
  • As crianças são as mais vulneráveis às infecções da maior parte das doenças tropicais negligenciadas.
  • As doenças tropicais negligenciadas matam, prejudicam e incapacitam irreversivelmente milhões de pessoas todos os anos, resultando normalmente numa vida de dor permanente, estigmatização social e abuso.
  • Muitas podem ser prevenidas, eliminadas ou até mesmo erradicadas mediante a melhoria do acesso aos instrumentos existentes seguros e comprovados.

Contudo estas doenças permanecem negligenciadas a todos os níveis.

Negligenciadas a nível da comunidade: Doenças tropicais negligenciadas como a lepra, filaríase linfática e leishmaníase são temidas e constituem-se como fonte de estigma social e preconceito. Tal faz com que estas doenças sejam normalmente ocultas – longe da vista, estão fracamente documentadas e sem se falar sobre elas.

Negligenciadas a nível nacional: As doenças tropicais negligenciadas tendem a ser omissas nos panoramas de controlo dos serviços de saúde e dos políticos porque afectam populações que são normalmente marginalizadas e com pouca voz política.  Apesar de frequentemente causarem dores severas e incapacidades permanentes, estas doenças não são geralmente grandes causas de morte. Sob condições de fracos recursos, doenças de alta mortalidade como a VIH/SIDA ou Tuberculose são tomadas como prioritárias em detrimento das doenças tropicais negligenciadas.

Negligenciadas a nível internacional: As Doenças tropicais negligenciadas não se propagam facilmente e não se constituem como uma ameaça imediata para o mundo ocidental.  Para além disso, estão relacionadas com condições específicas geográficas e ambientais. O desenvolvimento de novos instrumentos de diagnóstico tem sido sub-financiado principalmente porque as doenças tropicais negligenciadas não representam um mercado significativo. Menos de um 1% dos 1.393 novos medicamentos registados entre 1975 e 1999 estão relacionados com doenças tropicais. Menos de 0,001% dos 60 a 70 biliões de dólares foi direccionado para desenvolver novos tratamentos urgentemente necessários para as doenças tropicais. 

A OMS está neste momento a concentrarse em 14 doenças tropicais negligenciadas: Úlcera de Buruli – Leishmaníase – Doença de Chagas – Lepra – Cólera/Doença diarreica epidémica – Filaríase linfática – Dengue/Febre hemorrágica de dengue –Oncocercose – Dracunculíase (doença larvar da Guiné) – Schistossomíase – Treponematose endémica (sífilis endémica, yaws, pinta ...) – Helmintoses transmitidas pelo solo – tracoma – tripanossomíase humana africana.